Das tiras em quadrinhos

Hoje meu irmão recebeu uma carta do MEC, dizendo que ele havia sido sorteado para fazer uma prova no próximo domingo, daqui a dois dias. Este ano ele decidiu se formar. Não quer festa, não quer nada. Depois de seis anos pagando a faculdade, ele só quer se formar. Mas o sorteio do MEC decidiu que ele precisa fazer algo mais. Esse episódio me lembrou de quando fiz 18 anos e tive que tirar o título eleitoral. Nunca gostei muito dos deveres cívicos, principalmente daqueles que dizem que temos de fazê-los pelo futuro do país, quando os fazemos é pelo futuro dos políticos. E políticos eram para mim, figuras alegóricas, personagens das charges na Zero Hora.

Mas o que de pior poderia me acontecer, além de ter que subir e descer a lomba da Duque de Caxias algumas vezes? Se não havia solução, eu já me preparava para “gostar” daquilo. No mesmo dia em que recebi o título, li no jornal as tiras do “Laerte” e a piada era sobre um cara que se perguntava a mesma coisa, quando o carteiro chega com uma notificação do TRE. É, eu fui mesária naquele ano. Perdi o domingo e não tive feriado. Mas guardei a tira até os 22 anos, quando desisti dela por falta de espaço no caderno das coincidências e das piadas de humor negro que, a partir de então, comecei a colecionar.

Ainda hoje, em momentos de relativa paciência com a vida, motivada pelos desacontecimentos dos dias, à noite, eu escrevo sobre os carneirinhos, sobre nós e a cerca que às vezes nos separa deles. Muitos dizem que coincidências são apenas carneiros e jamais sentarão à mesa para tomar chá. Assim como os políticos com o futuro do Brasil. E a fumaça virtuosa do meu interminável cigarro.

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