Somos todos em vão
Passageiros na contramão
Correndo para chegar
Ao fim da linha da estação
Sem nenhum trocado
Dinheiro, plástico ou latão
Só o ticket, o vale-refeição na mão
O dia é um daqueles nublados
Ônibus sacudindo, lotado
Horas chove, outras não
Uns molhados, outros segurando no cordão
Momento ingrato, BUSINA!
Cachorro atropelado, no ato
Todo mundo cai por cima
Eu viro enlatado, faleço
Meus órgãos são doados ainda frescos
E o cachorro ressuscitado, como apreço
É adotado por minha mulher e meu irmão
Aqui jaz, Gilberto, carteiro e amigo
Ressuscitado, cachorro, vira-lata e pulguento
Meus ossos são sua guarnição