Serenata

“Vestiu-se à meia noite seu traje de domingo e tocou o solo debaixo do balcão de sua amada a valsa de amor que compusera para ela, que só eles dois conheciam, e que foi durante três anos o emblema de sua cumplicidade contrariada. Tocou-a murmurando a letra, o violino banhado em lágrimas e com uma inspiração tão intensa que os primeiros compassos começaram a ladrar os cachorros da rua, e em seguida os da cidade, mas depois se foram calando pouco a pouco graças ao feitiço da música, e a valsa terminou meio a um silêncio sobrenatural. O balcão não se abriu, nem ninguém assomou à rua.
…Quando guardou o violino na caixa e se afastou pelas ruas mortas não achava que ia embora na manhã seguinte, e sim que já tinha ido há muitos anos …”

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