Arquivo para Amigos
Desamo
Descobri há pouco tempo, que ele se chamava Desamo.
Era um guerrilheiro bonito e destemido, perito em torturas,
maus-tratos e falsa soltura. Ele sabia camuflar-se, desarmar e matar
com tamanha rapidez que até hoje me espanto.
Eu me engano, mas não Desamo. Ele dormia na trincheira.
Um dia, não o viram mais. Um triste ano, foi sem Desamo.
Seu corpo despedaçado foi encontrado, juntado e queimado.
E porque nascera e vivera na trincheira,Desamo foi jogado lá.
Mas o vento, o vento o carregou. E Desamo virou passarinho.
Feito de poeira.
A poeira que roda e viaja com o vento até o fim dos tempos…* Nunu.*
Da verdade
“Nem sempre o que se esconde atrás dos fatos é a verdade.
Nem sempre a verdade deve ser dita.
Porque de todo quando esta é revelada,
Nem mesmo quem a confessa acredita.”
Amigo antigo
Esses dias, eu o reencontrei.
Amigo antigo de tanto tempo, quanto tempo?!
Feliz e saudoso, eu perguntei: E a família como vai?
O outro, olhar descrente, carcomido: Todos bem.
Passado a semana, despertei: morreram em um acidente.
Só vivera o amigo de quem nem o nome eu lembrei.
Alto mar
Quando você deixa o mundo se virar
E vira a vida para o melhor que há
Então tudo pode ser
Deixa a estrada andar
E a poeira te batizar
Porque quando a poeira vira
Uma poesia também caminha
E então o caminho pode vir a dizer
Para onde foram as pessoas boas
Se estão perto ou longe
Do porão ou para a proa
Em alto mar o vento é música
E a poeira voa
Da obstinação (para a Cris)
Salienta-se da terra
Aquilo que é poeira e dela
Coisas, obstinação
Assim como para o caminho
Havia a pedra
Para o solo partido
O vencido coração
Havia no meio
Pedaços de chão

