original verson
Za cutuca ja ti pega
aci pata-pata
Za cutuca ja ti pega
aci pata-pata
Za cutuca ja ti pega
aci pata-pata
AAAA amiamá, amiamá
aci pata-pata
Don’t worry
u-uuu tirururuuu
tirurururuuuuuuuu
tirurururuuuuuuuuuuuuu
u-uuu tirururuuu
tirurururuuuuuuuuuu
tirurururuuuuuuuuuuuuuu
tirurururuuuuuuuuuuuuuuuuuu
Paaararaa parararaaaa paraa
pararaaraaaa…
Be Happy
Das sete ondinhas
Correi, rolai, correi _ ondas sonoras
ondas que voltam, marolas, carambolas
De um dia tenso, num pequeno instante. Eu crio uma história e sigo adiante.
Tudo que se desfaz aqui, renasce melhor mais adiante …
Serenata
“Vestiu-se à meia noite seu traje de domingo e tocou o solo debaixo do balcão de sua amada a valsa de amor que compusera para ela, que só eles dois conheciam, e que foi durante três anos o emblema de sua cumplicidade contrariada. Tocou-a murmurando a letra, o violino banhado em lágrimas e com uma inspiração tão intensa que os primeiros compassos começaram a ladrar os cachorros da rua, e em seguida os da cidade, mas depois se foram calando pouco a pouco graças ao feitiço da música, e a valsa terminou meio a um silêncio sobrenatural. O balcão não se abriu, nem ninguém assomou à rua.
…Quando guardou o violino na caixa e se afastou pelas ruas mortas não achava que ia embora na manhã seguinte, e sim que já tinha ido há muitos anos …”
Quase real
Eu vi outro dia, dois gatos pretos,
olhando para o mesmo lado,
miando do mesmo jeito,
como se fossem do mesmo feito,
um raro efeito.
Quase real.
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Para o ceguinho, a bengala é quem faz seu caminho
taquitaqui, taquitaqui, taqui-tá .
Desejo mio
Há duas semanas, eu pensava em fazer algo sobre o que me disseram um dia. Brincar com o que é sério, é mais sério do que se imagina. Um desejo desprovido de qualquer intenção é como um gato a procura um lugar para afiar as presas. Minha pele não é estofado, tão pouco madeira ou cascalho. Então, eu coloquei o desejo no papel. Circulei, dobrei, recordei, voltei, retomei e finalizei um barco, daqueles que quando se dobra errado, vira chapéu de “marcha soldado”. Soltei-o na vala, num dia de chuva fina. Mal dobrara a esquina, sumira. Há quem duvide, há quem acredita que o desejo dera ao barco vida. E pelos bueiros ele ainda transita. Ora mia, ora mio…
Globulos vermelhos
Par seria: dois blocos aglomerados
Mas como gente
Partículas
Glóbulos vermelhos e brancos
Com ameixa, misturados
Lambo teu queixo, seus eixos
Tudo que for adocicado…
Dia de cão
Somos todos em vão
Passageiros na contramão
Correndo para chegar
Ao fim da linha da estação
Sem nenhum trocado
Dinheiro, plástico ou latão
Só o ticket, o vale-refeição na mão
O dia é um daqueles nublados
Ônibus sacudindo, lotado
Horas chove, outras não
Uns molhados, outros segurando no cordão
Momento ingrato, BUSINA!
Cachorro atropelado, no ato
Todo mundo cai por cima
Eu viro enlatado, faleço
Meus órgãos são doados ainda frescos
E o cachorro ressuscitado, como apreço
É adotado por minha mulher e meu irmão
Aqui jaz, Gilberto, carteiro e amigo
Ressuscitado, cachorro, vira-lata e pulguento
Meus ossos são sua guarnição
Desamo
Descobri há pouco tempo, que ele se chamava Desamo.
Era um guerrilheiro bonito e destemido, perito em torturas,
maus-tratos e falsa soltura. Ele sabia camuflar-se, desarmar e matar
com tamanha rapidez que até hoje me espanto.
Eu me engano, mas não Desamo. Ele dormia na trincheira.
Um dia, não o viram mais. Um triste ano, foi sem Desamo.
Seu corpo despedaçado foi encontrado, juntado e queimado.
E porque nascera e vivera na trincheira,Desamo foi jogado lá.
Mas o vento, o vento o carregou. E Desamo virou passarinho.
Feito de poeira.
A poeira que roda e viaja com o vento até o fim dos tempos…* Nunu.*
